O barulho dos chinelos estilo havaiana ao longo do corredor cinzento daquela penitenciária denunciavam a presença iminente dela. O cabelo cor de chocolate bem liso e escuro agitava-se ao
ritmo das passadas, enquanto ela lançava alguns olhares provocadores às outras presas e a algumas guardas. Tinha conseguido impor-se a todas as outras que com ela partilhavam o espaço, a muito custo. Duas estadias na enfermaria após pouco amigáveis boas-vindas por parte das colegas de reclusão não tinham sido por acaso. Tinha marcado no corpo, o respeito que agora impunha a todas as outras.
Quando chegou ao gabinete de Maria Luísa, a Directora, bateu à porta e entrou.
- Boa tarde. Então qual é o problema? - atirou com rispidez.
- Sente-se. Queremos falar consigo. - respondeu-lhe Maria Luísa.
- Sobre o quê? Que caras de caso! Matei mais alguém que eu não saiba foi? - tentou gracejar cinicamente.
- Sente-se por favor. - insistiu Luísa.
Já conhece o inspector Francisco, é ele que está a acompanhar o seu caso...
- Sim, sim. Conheço muito bem...
- Pronto...ele veio trazer-me uma notícia sobre si. O tribunal decidiu retirá-la deste estabelecimento prisional...
- Vão-me por na rua? Não devo estar a ouvir bem...
- Na rua claro que não. Depois do incidente da semana passada, concluímos que não podemos
arriscar mantê-la aqui. Infelizmente esta penitenciária não tem as condiçoes de segurança que esta situação requer.
- Vocês estão convencidos que elas queriam-me matar não é?
- Não podemos divulgar mais nada, mas você aqui está em risco. Por incrível que isso possa parecer, estando numa prisão.
-Então e vou para onde?
- A Diana vai ficar sob vigilância constante em casa...
- Em casa?!
- Em casa do inspector Alexandre Saraiva.
- Bahh... Eu vou para casa de um bófia..err, polícia? Desculpe mas isso é muito, à frente...ritmo das passadas, enquanto ela lançava alguns olhares provocadores às outras presas e a algumas guardas. Tinha conseguido impor-se a todas as outras que com ela partilhavam o espaço, a muito custo. Duas estadias na enfermaria após pouco amigáveis boas-vindas por parte das colegas de reclusão não tinham sido por acaso. Tinha marcado no corpo, o respeito que agora impunha a todas as outras.
Quando chegou ao gabinete de Maria Luísa, a Directora, bateu à porta e entrou.
- Boa tarde. Então qual é o problema? - atirou com rispidez.
- Sente-se. Queremos falar consigo. - respondeu-lhe Maria Luísa.
- Sobre o quê? Que caras de caso! Matei mais alguém que eu não saiba foi? - tentou gracejar cinicamente.
- Sente-se por favor. - insistiu Luísa.
Já conhece o inspector Francisco, é ele que está a acompanhar o seu caso...
- Sim, sim. Conheço muito bem...
- Pronto...ele veio trazer-me uma notícia sobre si. O tribunal decidiu retirá-la deste estabelecimento prisional...
- Vão-me por na rua? Não devo estar a ouvir bem...
- Na rua claro que não. Depois do incidente da semana passada, concluímos que não podemos
arriscar mantê-la aqui. Infelizmente esta penitenciária não tem as condiçoes de segurança que esta situação requer.
- Vocês estão convencidos que elas queriam-me matar não é?
- Não podemos divulgar mais nada, mas você aqui está em risco. Por incrível que isso possa parecer, estando numa prisão.
-Então e vou para onde?
- A Diana vai ficar sob vigilância constante em casa...
- Em casa?!
- Em casa do inspector Alexandre Saraiva.
E quem é esse?
- O inspector Alexandre Saraiva vai assumir o seu caso. Isto tem que ser mantido entre o menor número de pessoas possível. Não é para espalhar.
- Deixe-me ver se eu percebi. Aqui podem matar-me, em casa do inspector não...? Aqui há guardas, cameras, grades e armas com fartura.E mesmo assim, ai que tou em perigo. E em casa dele? Vou ter um rotweiller a vigiar-me as costas o dia todo é?
- Você fazia parte dessa associação criminosa. Deve saber muito bem do que eles são capazes...
Arrume as suas coisas por favor. Eles esperam por si à entrada.
A conversa acabou e Diana voltou à cela. Encontrou Helena, a nova companheia, a tímida
recepcionista que tinha sido apanhada em flagrante no aeroporto com umas cápsulas suspeitas numa mala com destino ao Rio de Janeiro. Diana não simpatizou logo com ela, quando Helena chegou.
Lembra-se de lhe atirar a pergunta típica "então o que é que fizeste para estar aqui?". Helena
respondeu "nada". Diana irritava-se sempre que alguma reclusa dava esse tipo de resposta. Rosnava sempre "Claro, nunca fazem nada, Toda a gente é inocente aqui dentro". Com o tempo Helena foi revelando algumas paginas da sua vida e acabou por conquistar alguma confiança de Diana. Se é que isso era possível.
- Vais perder a companheira de quarto - avisou Diana.
Helena deu um salto na cama, largando o livro que estava a ler.
- Porquê?
- Vou morar com um inspector...só para rir. Vão mandar-me para casa do Inspector alexandre não sei quê...
- Alexandre Saraiva?
- Sim, acho que é isso. Conheces?
- Conheço. Começo a ficar com alguma inveja...ahahah
- Helena, são todos iguais...vai dar tudo ao mesmo.
Diana arrumou os poucos pertences e despediu-se de Helena com um beijo.
- Cuida-te. Vigia as costas!
- Vou ter saudades tuas.
- Não vais nada. Eu sou insuportável, lembras-te? - gracejou Diana.
Caminhava em direcção à saída, num aborrecimento indisfarçável, quando avistou os inspectores à sua espera. Quando fixou o olhar nos dois, instantaneamente a malícia invadiu-lhe as veias. Pela descrição que Helena lhe tinha dado, aquele só podia ser o inspector com quem ia partilhar a casa. Um moreno, de 30 e poucos anos, com perto de 1,80m...e...uma óptima maneira de se divertir no seu novo espaço de reclusão. Diana era uma mulher narcisista sem qualquer problema com isso. Sabia que a sua beleza perturbava os homens, e passou-lhe nesse mesmo instante pela cabeça seduzir aquela nova presa. Cresceu sem noção de limites, e era assim que sabia viver.
- Olá. Boa tarde.
- Boa tarde, Alexandre Saraiva. Sou eu que vou tomar conta do seu caso.
- Eu sei...murmurou.
- Espero que não faça nenhuma asneira enquanto estiver lá por casa.
- Só se você quiser...
Alexandre cortou logo ali o ambiente estranho que estava a crescer, e acompanhou Diana ao carro, com escolta de duas guardas e de Francisco.
Assim que Diana entrou, Francisco advertiu-o:
- Cuidado com ela. Ela matou um homem a sangue-frio, não é flor que se cheire.
- Eu sei como as coisas são. Fique descansado. Logo dou-lhe notícias.
No caminho para casa, Diana tentou provocar Alexandre mas ele manteve-se na sua. Quando precisou de pôr gasolina, abriu a porta do lado de Diana e num gesto algo brusco algemou-a ao apoio para o braço. Ela ripostou.
- Isto é mesmo necessário?
- É. Eu não confio em si. Desculpe a indelicadeza. - ironizou ele.
- Idiota. Não pense que me vai tratar como se eu fosse o seu animalzinho de estimação.
- Você? Só se fosse um animal selvagem.
Quando chegaram a casa, Alex estabeleceu a organização:
- Esta casa só tem um quarto. É uma vivenda pequena. Você dorme no meu quarto e eu durmo aqui na sala, no sofá.
- Que cavalheiro...
- Não abuse da minha paciência. Eu faço com que você volte para donde veio.
- Você não manda nada, parece-me... - disse, sentando-se no sofá e cruzando as pernas.
Vamos ter que viver os dois nesta casa, quer você queira, quer não queira. Triste não é? Já nem podemos decidir quem metemos em nossa casa...
- Isto não vai acabar bem... - suspirou Alex antes de virar as costas.
E tinha razão.
recepcionista que tinha sido apanhada em flagrante no aeroporto com umas cápsulas suspeitas numa mala com destino ao Rio de Janeiro. Diana não simpatizou logo com ela, quando Helena chegou.
Lembra-se de lhe atirar a pergunta típica "então o que é que fizeste para estar aqui?". Helena
respondeu "nada". Diana irritava-se sempre que alguma reclusa dava esse tipo de resposta. Rosnava sempre "Claro, nunca fazem nada, Toda a gente é inocente aqui dentro". Com o tempo Helena foi revelando algumas paginas da sua vida e acabou por conquistar alguma confiança de Diana. Se é que isso era possível.
- Vais perder a companheira de quarto - avisou Diana.
Helena deu um salto na cama, largando o livro que estava a ler.
- Porquê?
- Vou morar com um inspector...só para rir. Vão mandar-me para casa do Inspector alexandre não sei quê...
- Alexandre Saraiva?
- Sim, acho que é isso. Conheces?
- Conheço. Começo a ficar com alguma inveja...ahahah
- Helena, são todos iguais...vai dar tudo ao mesmo.
Diana arrumou os poucos pertences e despediu-se de Helena com um beijo.
- Cuida-te. Vigia as costas!
- Vou ter saudades tuas.
- Não vais nada. Eu sou insuportável, lembras-te? - gracejou Diana.
Caminhava em direcção à saída, num aborrecimento indisfarçável, quando avistou os inspectores à sua espera. Quando fixou o olhar nos dois, instantaneamente a malícia invadiu-lhe as veias. Pela descrição que Helena lhe tinha dado, aquele só podia ser o inspector com quem ia partilhar a casa. Um moreno, de 30 e poucos anos, com perto de 1,80m...e...uma óptima maneira de se divertir no seu novo espaço de reclusão. Diana era uma mulher narcisista sem qualquer problema com isso. Sabia que a sua beleza perturbava os homens, e passou-lhe nesse mesmo instante pela cabeça seduzir aquela nova presa. Cresceu sem noção de limites, e era assim que sabia viver.
- Olá. Boa tarde.
- Boa tarde, Alexandre Saraiva. Sou eu que vou tomar conta do seu caso.
- Eu sei...murmurou.
- Espero que não faça nenhuma asneira enquanto estiver lá por casa.
- Só se você quiser...
Alexandre cortou logo ali o ambiente estranho que estava a crescer, e acompanhou Diana ao carro, com escolta de duas guardas e de Francisco.
Assim que Diana entrou, Francisco advertiu-o:
- Cuidado com ela. Ela matou um homem a sangue-frio, não é flor que se cheire.
- Eu sei como as coisas são. Fique descansado. Logo dou-lhe notícias.
No caminho para casa, Diana tentou provocar Alexandre mas ele manteve-se na sua. Quando precisou de pôr gasolina, abriu a porta do lado de Diana e num gesto algo brusco algemou-a ao apoio para o braço. Ela ripostou.
- Isto é mesmo necessário?
- É. Eu não confio em si. Desculpe a indelicadeza. - ironizou ele.
- Idiota. Não pense que me vai tratar como se eu fosse o seu animalzinho de estimação.
- Você? Só se fosse um animal selvagem.
Quando chegaram a casa, Alex estabeleceu a organização:
- Esta casa só tem um quarto. É uma vivenda pequena. Você dorme no meu quarto e eu durmo aqui na sala, no sofá.
- Que cavalheiro...
- Não abuse da minha paciência. Eu faço com que você volte para donde veio.
- Você não manda nada, parece-me... - disse, sentando-se no sofá e cruzando as pernas.
Vamos ter que viver os dois nesta casa, quer você queira, quer não queira. Triste não é? Já nem podemos decidir quem metemos em nossa casa...
- Isto não vai acabar bem... - suspirou Alex antes de virar as costas.
E tinha razão.













