Ideias, excitações, fantasias...
Histórias.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

#Tudo ou Nada - parte I

O barulho dos chinelos estilo havaiana ao longo do corredor cinzento daquela penitenciária denunciavam a presença iminente dela. O cabelo cor de chocolate bem liso e escuro agitava-se ao
ritmo das passadas, enquanto ela lançava alguns olhares provocadores às outras presas e a algumas guardas. Tinha conseguido impor-se a todas as outras que com ela partilhavam o espaço, a muito custo. Duas estadias na enfermaria após pouco amigáveis boas-vindas por parte das colegas de reclusão não tinham sido por acaso. Tinha marcado no corpo, o respeito que agora impunha a todas as outras.
Quando chegou ao gabinete de Maria Luísa, a Directora, bateu à porta e entrou.
- Boa tarde. Então qual é o problema? - atirou com rispidez.
- Sente-se. Queremos falar consigo. - respondeu-lhe Maria Luísa.
- Sobre o quê? Que caras de caso! Matei mais alguém que eu não saiba foi? - tentou gracejar cinicamente.
- Sente-se por favor. - insistiu Luísa.
Já conhece o inspector Francisco, é ele que está a acompanhar o seu caso...
- Sim, sim. Conheço muito bem...
- Pronto...ele veio trazer-me uma notícia sobre si. O tribunal decidiu retirá-la deste estabelecimento prisional...
- Vão-me por na rua? Não devo estar a ouvir bem...
- Na rua claro que não. Depois do incidente da semana passada, concluímos que não podemos
arriscar mantê-la aqui. Infelizmente esta penitenciária não tem as condiçoes de segurança que esta situação requer.
- Vocês estão convencidos que elas queriam-me matar não é?
- Não podemos divulgar mais nada, mas você aqui está em risco. Por incrível que isso possa parecer, estando numa prisão.
-Então e vou para onde?
- A Diana vai ficar sob vigilância constante em casa...
- Em casa?!
- Em casa do inspector Alexandre Saraiva.
- Bahh... Eu vou para casa de um bófia..err, polícia? Desculpe mas isso é muito, à frente...
E quem é esse?
- O inspector Alexandre Saraiva vai assumir o seu caso. Isto tem que ser mantido entre o menor número de pessoas possível. Não é para espalhar.
- Deixe-me ver se eu percebi. Aqui podem matar-me, em casa do inspector não...? Aqui há guardas, cameras, grades e armas com fartura.E mesmo assim, ai que tou em perigo. E em casa dele? Vou ter um rotweiller a vigiar-me as costas o dia todo é?
- Você fazia parte dessa associação criminosa. Deve saber muito bem do que eles são capazes...
Arrume as suas coisas por favor. Eles esperam por si à entrada.

A conversa acabou e Diana voltou à cela. Encontrou Helena, a nova companheia, a tímida
recepcionista que tinha sido apanhada em flagrante no aeroporto com umas cápsulas suspeitas numa mala com destino ao Rio de Janeiro. Diana não simpatizou logo com ela, quando Helena chegou.
Lembra-se de lhe atirar a pergunta típica "então o que é que fizeste para estar aqui?". Helena
respondeu "nada". Diana irritava-se sempre que alguma reclusa dava esse tipo de resposta. Rosnava sempre "Claro, nunca fazem nada, Toda a gente é inocente aqui dentro". Com o tempo Helena foi revelando algumas paginas da sua vida e acabou por conquistar alguma confiança de Diana. Se é que isso era possível.
- Vais perder a companheira de quarto - avisou Diana.
Helena deu um salto na cama, largando o livro que estava a ler.
- Porquê?
- Vou morar com um inspector...só para rir. Vão mandar-me para casa do Inspector alexandre não sei quê...
- Alexandre Saraiva?
- Sim, acho que é isso. Conheces?
- Conheço. Começo a ficar com alguma inveja...ahahah
- Helena, são todos iguais...vai dar tudo ao mesmo.
Diana arrumou os poucos pertences e despediu-se de Helena com um beijo.
- Cuida-te. Vigia as costas!
- Vou ter saudades tuas.
- Não vais nada. Eu sou insuportável, lembras-te? - gracejou Diana.
Caminhava em direcção à saída, num aborrecimento indisfarçável, quando avistou os inspectores à sua espera. Quando fixou o olhar nos dois, instantaneamente a malícia invadiu-lhe as veias. Pela descrição que Helena lhe tinha dado, aquele só podia ser o inspector com quem ia partilhar a casa. Um moreno, de 30 e poucos anos, com perto de 1,80m...e...uma óptima maneira de se divertir no seu novo espaço de reclusão. Diana era uma mulher narcisista sem qualquer problema com isso. Sabia que a sua beleza perturbava os homens, e passou-lhe nesse mesmo instante pela cabeça seduzir aquela nova presa. Cresceu sem noção de limites, e era assim que sabia viver.
- Olá. Boa tarde.
- Boa tarde, Alexandre Saraiva. Sou eu que vou tomar conta do seu caso.
- Eu sei...murmurou.
- Espero que não faça nenhuma asneira enquanto estiver lá por casa.
- Só se você quiser...
Alexandre cortou logo ali o ambiente estranho que estava a crescer, e acompanhou Diana ao carro, com escolta de duas guardas e de Francisco.
Assim que Diana entrou, Francisco advertiu-o:
- Cuidado com ela. Ela matou um homem a sangue-frio, não é flor que se cheire.
- Eu sei como as coisas são. Fique descansado. Logo dou-lhe notícias.
No caminho para casa, Diana tentou provocar Alexandre mas ele manteve-se na sua. Quando precisou de pôr gasolina, abriu a porta do lado de Diana e num gesto algo brusco algemou-a ao apoio para o braço. Ela ripostou.
- Isto é mesmo necessário?
- É. Eu não confio em si. Desculpe a indelicadeza. - ironizou ele.
- Idiota. Não pense que me vai tratar como se eu fosse o seu animalzinho de estimação.
- Você? Só se fosse um animal selvagem.
Quando chegaram a casa, Alex estabeleceu a organização:
- Esta casa só tem um quarto. É uma vivenda pequena. Você dorme no meu quarto e eu durmo aqui na sala, no sofá.
- Que cavalheiro...
- Não abuse da minha paciência. Eu faço com que você volte para donde veio.
- Você não manda nada, parece-me... - disse, sentando-se no sofá e cruzando as pernas.
Vamos ter que viver os dois nesta casa, quer você queira, quer não queira. Triste não é? Já nem podemos decidir quem metemos em nossa casa...
- Isto não vai acabar bem... - suspirou Alex antes de virar as costas.
E tinha razão.

sábado, 24 de Maio de 2008

Divórcio IV

São 18,15 e Nuno bate à porta de Sofia.

- Olá.
- Olá, entra. Estou a tentar vestir a Rita, mas ela está teimosa como tudo, e anda a fugir-me pela casa fora porque não quer as calças.
- (Ri) Onde é que ela está?
- Está no quarto a fazer birra.
Nuno segue Sofia até ao quarto da filha de ambos e a miúda quando o vê, abraça-se imediatamente a ele. Sofia observa a cena, e pede a Nuno que tente acabar de a vestir. Este acede ao pedido, e enquanto tenta que a filha vista a roupa que falta, pergunta-lhe baixinho "achas que a mãe quer ir ao cinema connosco?". Nuno dá-lhe um jogo para ela se entreter durante uns minutos e vai até à sala trocar uma palavra com a, ainda, mulher.
- Então? Já conseguiste vesti-la? Ela hoje está atravessada...
- Já. É criança, já se sabe... Eu vou ao cinema com ela, e depois vamos jantar. Trago-a cedo, por volta das 22,00 estamos de volta.
- Ok.
- Eu vi-te ontem...passei por acaso de carro, e vi-te a chegar...
- Ontem? Não te vi...
- Eu só passei, nem cheguei a parar. Vinhas com um colega teu não era?
- Err, sim. Era um colega meu, ele deu-me boleia para casa, porque estou sem carro.
- Pois...eu vi-vos...
Então e hoje vais ficar por casa? Não vais aproveitar que levo a Rita para saires um bocado?
- Não. Tenho umas coisas para fazer para amanhã. Vou ficar mesmo por aqui.
- Está bom tempo para passear, beber um café, jantar fora...
- Hoje não posso, tenho mesmo que acabar isto para amanhã.
- Bem, vou buscar a Rita para irmos andando...
- Vai, daqui a pouco fica tarde.
Nuno vai até ao quarto para trazer Rita, e Sofia fica pensativa acerca das perguntas que ele lhe fez. Despede-se da filha e dele, e regressa ao trabalho. Passa pouco das 22h quando batem à porta. É Nuno com Rita ao colo, que adormeceu no caminho para casa.
- Então? Ela já vem a dormir? - sorri.
- Ela adormeceu no carro.
- Ajuda-me a pô-la na cama sff...
Dirigem-se ao quarto da míuda, e em conjunto tentam despi-la e vestir-lhe o pijama sem a acordar. Durante essa operação trocam alguns olhares, lembrando-se do tempo em que ainda eram uma família normal, e faziam aquele gesto de deitar Rita, em conjunto. Depois, de terminarem, retornam à sala. Nuno informa Sofia de que tem viagem marcada para breve.
- Vou partir para a semana.
- Ai é? Por quanto tempo?
- Seis meses, é o normal...
- E como é que fica a audiència do divórcio?
- A audiência é esta sexta, ainda não te tinha dito?
- Não.
- É, ficou marcado para esta sexta, às 9h. Há algum problema para ti?
- Não. É melhor tratarmos disto logo. Para ver se já vais de viagem divorciado!
- Pois é, queria tratar disto antes de ir. Bem, vou-me embora, ainda tenho umas coisas para arrumar em casa. Até amanhã.
- Até amanhã.
Nuno sai e Sofia fica sem saber muito bem o que pensar. Faltam 3 dias para se divorciar de Nuno. Já não há nada que possa fazer para mudar isso.




Sexta, 9h

Nuno e Pedro, um amigo, chegam ao local da assinatura do divórcio. O primeiro troca um olhar breve com Sofia. Não quer separar-se, mas por outro lado tenta convencer-se que já não gosta dela, e portanto isso é o melhor. Ambos têm ainda que lidar com o orgulho que não abandona nem um nem outro.
Enquanto esperam, Nuno e Pedro conversam. A dada altura, este questiona-o:

- Então, estás preparado para isto? Tens mesmo a certeza..
- Tenho. Quanto mais depressa resolvermos isto melhor.
- Olha que depois de assinares...
- Pedro, eu sei! Fui eu que pedi o divórcio, lembras-te?
- Então não estejas sempre a olhar para ela!
- Eu não estou a olhar para lado nenhum.
- Sim, está bem. A Rafaela?
- Não sei. Não voltei a falar com ela.
- Acabaram?
- Ela só sabia chatear-me com a Sofia, não tenho paciência para crises.
- Essa irritação toda é porque vais assinar o divórcio?
- Pedro, se voltares a fazer algum comentário desse tipo, ficas a falar sozinho. Não estou a brincar.
- Ok. Já não digo mais nada.
Chega a hora, Sofia e Nuno são chamados para assinar o divórcio.
- Se têm mesmo a certeza, assinem onde está aí indicado por favor. Assine o senhor primeiro, e depois passe à senhora para ela assinar também.
Nuno olha para Sofia. Ela tenta que ele desista com a expressão facial que lhe faz. Durante breves segundos ele parece aceder, mas logo a seguir as suas feições endurecem, e escreve o nome completo no papel. Sofia fica desapontada, mas disfarça. Pega na caneta, vê o nome de Nuno, e começa a assinar o seu. Sem perceber muito bem como, num impulso, larga a caneta, levanta-se, e vai-se embora, perante o ar incrédulo de quem está presente. Nuno fica surpreso, embora aliviado, mas tenta não demonstrar.
Já cá fora, Sofia não consegue perceber muito bem o que fez. Não sabe o que vai acontecer dali para a frente, mas está convencida de que fez o que realmente queria.

Segunda-feira, 21h

Sofia está em casa e batem à porta. É Nuno. Não fica surpreendida pois já esperava que ele a procurasse para saber os motivos dela para ter feito o que fez.

- Precisamos conversar.
- Entra.
Já sei porque é que estás aqui.
- Ai é? Ainda bem então.
- Eu não sei que explicação te dar...não sei.
- Eu não vim atrás de nenhuma explicação. Só te vim dizer que a minha partida foi antecipada, e despedir-me da minha filha.
Amanhã às 10h estou a entrar num avião.

- Amanhã? Já? Quando é que soubeste disso?
- Desde sexta. Não tenho tido tempo nenhum... Depois de sair lá do divórcio tive que ir directo para o trabalho, depois toda aquela confusão da partida, enfim... têm sido dias para esquecer. Ela ainda não está a dormir pois não?
- Está. Ela esteve um bocadinho adoentada hoje. Tomou um comprimido depois do jantar e adormeceu logo. Mas não é nada de grave, apanhou só um bocadinho de frio, amanhã já está bem.
- Hmm...vou ao quarto só lhe dar-lhe um beijo então.
- Vai, claro.
Passado uns minutos, retorna à sala.
- Bem, tenho que ir.
Sofia hesita, mas acaba por lhe dizer:
- Nuno, sinceramente... espero que corra tudo bem.
- Obrigado.
Ela repara no olhar dele. Conhece-o, percebe que Nuno sente falta das despedidas que faziam sempre antes de ele partir. Decide arriscar:
- Nuno, antes de ires...toma um chá comigo...
- Um chá?
- Sim. Afinal, seis meses são seis meses...
Ele joga à defesa, mas acaba por aceder.
- Não tenho muito tempo, mas ok, eu aceito.
Enquanto tomam o chá, parecem esquecer o que os tem oposto nos últimos tempos. Ele fala-lhe da viagem, ela dá-lhe força, e há um momento em que a conversa se interrompe. Olham um para o outro, e sentem o mesmo desejo. Nuno toma a iniciativa, e aproxima-se de Sofia, tirando-lhe a chávena da mão, e acariciando-lhe os cabelos. Ela corresponde ao avanço dele, e trocam vários beijos apaixonados. Sofia cai em si e levanta-se do sofá, de repente Parece estar arrependida, e Nuno fica sem saber o que pensar ou dizer, e resolve sair.
- Acho que é melhor ir-me embora.
- É...eu também acho que é melhor...
Os dois sentem-se deveras atrapalhados com aquela situação. Querem mais um do outro, mas não há maneira de admitirem.
- Boa sorte para a tua viagem.
- Obrigado. Depois eu mando notícias. Diz à Rita que lhe trago muitas prendas.
- (sorri) Ok.
- Tchau.
- Tchau.
Nuno sai a porta, e Sofia atira-se para o sofá. Pensa durante alguns segundos, e num impulso, agarra no telemóvel e liga para ele. Mal este atende, só pronuncia, baixinho as seguintes palavras:
- Nuno, fica comigo esta noite...
Ele, que estava a entrar para o carro, dá meia volta e em dois segundos está novamente à porta dela. Sofia pega-lhe no braço, e puxa-o para dentro de casa. Agarra-lhe a cara com as mãos e sussurra-lhe:
- Eu quero...
- Vamos esquecer o resto...
Os dois beijam-se novamente, e Sofia puxa-o pela mão para o quarto de ambos. Lá, coloca-se de pé, frente a frente com ele, e despe-lhe a camisa, botão por botão, bem devagar, enquanto o olha nos olhos. Fá-la em seguida deslizar pelos braços dele, expondo-lhe o tronco. Acaricia-o com a perícia de alguém que já tinha saudades daquele corpo, e Nuno corresponde a esse sentimento, fazendo o mesmo com ela. Depois de alguns momentos assim, caem na cama, e vivem longos momentos de paixão.



Quando terminam, enquanto recuperam um pouco o fôlego e esperam que o suor se evapore, hesitam um pouco em iniciar qualquer conversa. Sentem-se bem, mas aquela situação ainda lhes parece um pouco estranha. Sofia pensa que Nuno fez amor com ela unicamente porque se sentia carente por ir viajar durante tanto tempo, e Nuno pensa que Sofia quis que ele ficasse com ela, num acto de loucura sem pensar nas consequências. É ela quem quebra o gelo:

- Tenho pensado em ti...
- Eu também.
- Ainda não aceitei bem que saiste de casa, que te foste embora... Custa-me viver aqui em casa sem ti, a Rita perguntar pelo pai...
Sabes, um dia destes ela perguntou-me se tu já não gostavas de mim e dela...
- E tu o que é que lhe disseste?
- Respondi que gostavas, mas que estavas com muito trabalho e não tinhas muito tempo.
- Fizeste bem. Ela ainda é pequenina demais para entender certas coisas.
- Coisas que acho que nem nós entendemos bem.
Nós somos tão estranhos...Há dois dias estávamos a assinar o divórcio, e agora estamos aqui, na cama a conversar, como se nada fosse...
Ambos esboçam um sorriso, mas ele vai mais longe:
- Sentes a minha falta?
- Sinto.
E tu, sentes a minha?
- Eu penso em ti a todas as horas. No outro dia, quando te vi a chegar com o outro gajo, e pensei que andasses com ele, fiquei logo desorientado...
- Com o André? (risos) Eu não ando com o André! (gargalhada) Aliás, desde que saíste de casa, eu não estive com mais ninguém.
Tu estiveste...ou, ainda estás...?
- Não estou. Não tenho ninguém. Acho que andei a viver uma mentira durante alguns meses, não me orgulho disso. A Rafaela merece alguém que goste realmente dela.
- Não gostavas da Rafaela?
- Eu acho que me convenci que gostava dela. Mas ela percebeu mais depressa do que eu, que não era bem assim.
- Como assim?
- Ela mandou-me vir ter contigo. Vocês mulheres parece que apanham tudo no ar.
- Satisfaz-me uma curiosidade...
- Diz.
- Quando estavas com ela pensavas em mim?
- Com ela, como?
- Com ela...quando a beijavas, na cama...
- Tu sabes a resposta.
- Nuno, eu..., eu, quero tentar outra vez.
- Nós?
- Sim. Não queres?
- É o que eu mais quero. Espera um pouco.
Ele levanta-se e dirige-se à sala. Sofia não percebe nada, mas espera para ver. Quando ele volta, traz qualquer coisa na mão. Deita-se ao lado dela, e estica-se por cima de Sofia para chegar à mesa de cabeceira. Agarra na aliança que estava lá pousada, e pede-lhe a mão.
- Dá-me a tua mão.
- (risos) O que é que estás a fazer?
- Mulher minha tem que andar de aliança no dedo! Não quero confusões. (risos)
Ele põe-lhe de novo a aliança de casamento no dedo, e dá-lhe a outra para que ela lha coloque também. Sofia assim o faz.
- Tu és doido. Parece que estamos a casar na cama! (gargalhada)
- E queres sítio melhor?
- Anda cá...vais estar longe tanto tempo, temos que aproveitar bem esta noite!
- Também acho! (risos)



No dia a seguir, Nuno está no aeroporto à espera da hora para entrar no avião. Sofia vai despedir-se dele, e antes mesmo de ele ir embora, ao dar-lhe um beijo de despedida, confidencia-lhe:
- Sabes, eu não estou a tomar a pílula...e estou a meio do meu mês...
- Isso quer dizer o quê? (pergunta-lhe ele, já sabendo mais ou menos a resposta)
- Isso quer dizer que...ontem + não tomar a pílula + período fertil... quem sabe se quando voltares não tenho uma óptima surpresa de boas-vindas.
- Era tão bom, mas não digas isso...Se eu pudesse desistir, não me apetece nada ir embora agora, e a dizeres isso, ainda vou buscar a mala e volto contigo para casa.
- Schhh...vais sim. Eu vou pensar em ti todos os dias, e depois logo te digo se sim ou não (põe a mão na barriga).
- Ai ai ai... não me devias ter dito isso. Ainda desisto disto tudo. Tou cá com uma vontade...
- Vá...está na hora de ires. Amo-te, estou sempre a pensar em ti, não te esqueças disso.
- E eu em ti, a todas as horas. Eu ligo-te sempre que puder. Trata bem da Rita, diz-lhe que o pai gosta muito dela, e que lhe vou trazer muitas coisas para ela brincar, está bem?
- Sim...vá, vai lá, antes que desistas.
- É o que eu mais tenho vontade... Bem, tem que ser... Amo-te, porta-te bem, e vê lá o que fazes aqui sem mim. Não tires essa aliança nem por nada! (risos)
- Beijo.
- Beijo.
Nuno vira costas e Sofia sente um pequeno aperto no peito. Não é a primeira vez que se separa do marido, mas desta vez há um sabor diferente no ar. Algumas semanas mais tarde, percebe que não engravidou na noite que passou com Nuno, antes de ele partir, mas não se sente desapontada com isso, porque entre eles está tudo bem.
Aqueles seis meses demoram a passar, mas parece que tudo voltou ao normal, e de uma forma completamente inusitada.
Com eles sempre foi assim, tudo demora para acontecer, mas quando acontece, é de uma vez.


Nota 1: Uma pequena parte deste trecho é real.
Nota 2: Não gosto de finais infelizes nas histórias. Por vezes escrevo algumas que não acabam bem, mas estes dois mereciam um final feliz! Eu acho.

terça-feira, 20 de Maio de 2008

Divórcio III

Alguns dias depois, após sair do trabalho, Nuno passa por casa de Sofia, para ver a filha. Ao estacionar à porta, vê a ex-mulher sair do automóvel com um homem, e observa como os dois conversam animadamente. Deixa-se ficar dentro do carro, e vê-os despedirem-se, ele a deixá-la à porta, e a ir-se embora. Imediatamente conclui que andam a sair. Fica ciumento, e com raiva ao perceber que isso o incomoda mais que o que ele poderia pensar. Passa-lhe pela cabeça ir atrás da companhia de Sofia, e tirar satisfações, mas cai em si, ao perceber que tal não faz sentido. Esquece a visita à filha e vai-se embora. Chega a casa, e recebe um telefonema de Rafaela:
- Olá amor, tá tudo bem?
Responde-lhe seco:
- Olá. Sim, está tudo e contigo?
- Também... Estava a pensar, o que achas de passar aí por casa, e jantarmos os dois...?
- Pode ser.
- O que é que tens? Estás chateado com alguma coisa?
- Não. É so cansaço. Aparece então.
- Ok. Até já!
- Até já.
Ele desliga o telefone e pensa para si mesmo "agora era só o que me faltava ter que aturar esta chata...". Nuno está a sair do banho quando Rafaela bate à porta. Enrola rapidamente a toalha branca à volta da cintura e vai abrir.
- Olá....eh lá, que recepção!
- Saí agora do banho.
- Pois, nota-se... (Rafaela abraça-se a Nuno e passa-lhe a mão pelo corpo molhado) Já estava com saudades tuas...
- Cuidado, olha que te molhas toda. Entra e senta-te aí na sala que eu vou só vestir qualquer coisa.
- Ok.
Rafaela senta-se e estranha a frieza de Nuno, mas não aguenta muito tempo e decide segui-lo até ao quarto, apanhando-o já meio vestido, de calças de ganga, mas ainda em tronco nu. Abraça-o pelas costas e diz-lhe:
- Adoro o teu corpo...dá-me logo vontade de...
- Rafaela, tou cansado...
- Não te preocupes, eu faço tudo, por mim e por ti...
- A sério, tou cansado, tive um dia para esquecer, não parei...tou mesmo cansado, só me apetece comer qualquer coisa e dormir.
- O que é que se passa? Porque é que estás a falar assim comigo?
- Assim como? Só estou cansado, não posso?
- Ok...Vou ver de qualquer coisa na cozinha para comermos.



Rafaela fica desconfiada, mas decide esquecer momentâneamente o assunto. Nuno senta-se na cama, e olha para o telemóvel. Procura na lista o número de Sofia, e não consegue esquecer que a viu à entrada de casa com um homem. Sente raiva quando lhe passa pela cabeça que possam estar a sair juntos. Num impulso, decide ligar-lhe:
- Sim...
- Estou, Sofia, err, estou a ligar-te por causa da Rita. Quero saber se amanhã posso passar aí por casa para levá-la a jantar comigo.
- Amanhã? Acho que sim, pelo menos não deve haver problema. A que horas estás a pensar vir?
- Aí por volta das 18,00 18,30...quando sair do trabalho vou directo para aí. Quero levar a Rita ao cinema.
- Fazes bem, ela gosta. Vou dizer-lhe que amanhã vens buscá-la.
- E contigo está tudo bem?
- Está. Está tudo óptimo, obrigada. Bem, vou ter que desligar, estava a fazer o jantar. Depois se houver alguma alteração de planos, diz-me qualquer coisa ok? Beijos.
- Está bem. Beijo, até amanhã.
Sofia desliga o telefone, e percebe as borboletas que ainda sente no estomãgo ao ouvir a voz do ex-marido. Diz à filha que no dia a seguir o pai vem buscá-la e Rita fica eufórica. Em casa de Nuno, este dirige-se à sala, e sente uma estranha injecção de adrenalina por ter falado com Sofia, embora ela só tenha dito o mínimo indispensável. Aproxima-se de Rafaela, e inicia conversa:
- Então, o que é que estás a fazer?
- Esparguete à bolonhesa. Não havia grandes hipóteses - diz, esboçando um sorriso para ele.
- Olha, vou-me sentar ali a ver um bocado de televisão está bem? Tou um bocado cansado.
- Ok, daqui a pouco já vou para o pé de ti.
Nuno senta-se no sofá, mas não presta grande atenção ao programa. Não lhe sai da cabeça que a ex-mulher possa estar a envolver-se com outro homem. Sofia janta em sua casa, depois de deitar Rita. Sente-se sozinha, mas a sensação de ter sido humilhada quando foi até casa de Nuno insinuar-se perante ele, consegue ser mais forte. Sente-se perdida, mas tenta convencer-se a acreditar que melhores dias virão.



Durante o jantar, Rafaela percebe o semblante carregado do namorado. Ainda hesita em perguntar-lhe o que se passa, mas quando dá por si, já falou:
- Nuno, o que é que se passa? Estás tão esquisito, calado. Passa-se alguma coisa no teu trabalho?
- Não. Estou só cansado mesmo.
- Eu já te vi cansado várias vezes e não estás assim com a cara que tens hoje...
- Rafaela, por favor...não me apetece conversar. Estou chateado, cansado...Por favor, está bem?
- Chateado? E porque é que não falas comigo?
- Porque não me apetece. Deixa-me estar.
- Porque é que eu às vezes tenho a sensação de que tu não queres partilhar nada comigo? Eu às vezes não percebo muito bem o que é isto. O que é que nós temos afinal? Isto é só para ir para cama, ou existe aqui alguma relação? Eu sinto que muitas vezes só estás aqui de corpo, mas a cabeça anda longe...
- O que é que queres que te diga?
- O que é que eu quero que me digas? Bem, não seria mau dizeres que gostas de mim. Acho que ainda não te ouvi dizer isso...
- Se estou contigo...
Rafaela levanta-se da mesa, e prossegue:
- Se estás comigo? De corpo, Nuno! De corpo estás. E de cabeça? Será que de cabeça também estás?
- Não estou a perceber para que é que é isto tudo.
- Estou farta, percebes? É esse o problema. Tu não sabes o que é que queres! Não sabes mesmo... Não devias usar as pessoas para te sentires bem. A Sofia deu-te com os pés e tu achaste que devias arranjar alguém para te levantar o ego desmoralizado. Logo um homem como tu, não é? Que tem todas as mulheres que quiser, ser rejeitado!
- Tenho todas as mulheres que quero? Mas tu estás maluca? O que é que tu queres dizer com isso?
- Tu achas que nenhuma mulher é suficientemente boa para ti. Um bom corpo não é tudo, e homens como tu, há por aí muitos, acredita. Tu enches o peito para dizeres que és um homem cheio de príncipios e valores, mas depois não respeitas as outras pessoas. Vou-me embora.
- Também acho que é melhor.
- Só uma última coisa. Se eu fosse a ti falava com a Sofia, porque ainda é nela que estás sempre a pensar. Eu acho que sempre soube disso, mas enfim... É melhor falares com ela, é que assim, só fazes sofrer uma pessoa, em vez de fazeres sofrer três.
Rafaela bate com a porta e sai. Nuno fica pensativo em relação ao que ela disse.

sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Divórcio II

Nuno saiu a porta e meteu-se no carro. Tinha marcado de jantar com Rafaela,e havia-se atrasado em casa de Sofia. Sentia-se aliviado por um lado, porque parecia-lhe estar mais seguro do que queria fazer, mas por outro tinha medo de cometer algum erro que pudesse vir a sair-lhe caro.
Quanto bateu à porta, Rafaela surgiu-lhe deslumbrante para o jantar a dois. Nuno não sabia, mas ela tinha planeado uma noite romântica à medida, e não tinha esquecido nenhum pormenor. Quando ele entrou, olhou em volta, e ficou surpreendido com todos os detalhes em que ela tinha pensado: as velas, as bebidas, a ementa leve...Nuno sorriu, e deu-lhe um beijo.
- Isto é tudo para mim?- perguntou ele.
- Claro. Quero que esta noite seja especial para nós... - respondeu-lhe ela, aproximando-se dele novamente para o beijar.
Senta-te aí, eu vou buscar o vinho...
Nuno olhou-a, e não deixou de reparar na forma sensual como ela se tinha preparado para o receber. O vestido vermelho de decote ousado, e ligeiramente por cima do joelho, fazia-lhe sobressair ainda mais a pele morena e o cabelo comprido, preto. Comparou-a com Sofia, mas depressa tirou a ex-mulher da ideia, ficando feliz pelas atenções que Rafaela lhe dispensava. Ela voltou com o vinho e trocaram algumas palavras...
- Estás linda...
- Obrigada. Ainda bem que gostas...
- Claro que gosto. Impossível não gostar.
Rafaela faz-lhe uma festa na cara, e pergunta:
- Pareces-me cansado...
- Tenho tido muito trabalho...
- Eu não quero aborrecer-te, mas...como é que vai o andamento do divórcio?
- Estou a tratar disso. Os papéis já estão assinados, vamos ter uma audiência daqui a 2 semanas.
- Ela assinou sem problema?
- Sim. Ela também quer o divórcio.
- E a Rita?
- Fica com a Sofia. Não vou tirá-la de lá. Ainda para mais, posso estar com a minha filha sempre que quiser.
- Já não gostas da Sofia? Já não sentes nada, nada, nada por ela?
- Não. A Sofia é mãe da minha filha. Apenas isso. É uma excelente mãe, e por isso tem todo o meu respeito. Mas só.
- Nuno, a Sofia não te merece. Ela não percebe que tu amas a tua carreira acima de tudo. Tu precisas de uma mulher que esteja do teu lado, e não de alguém que te recrimine...
- Não é fácil estar do meu lado...
- Ela não te amava o suficiente. Eu nunca te obrigaria a escolher entre mim e a tua profissão... Isso é infantil...
Nuno não gosta que ela diga mal de Sofia, mas guarda esse sentimento para si. Tira o copo da mão de Rafaela e beija-a. Os dois acabam por fazer amor no sofá.



Sofia recebe Sara, uma amiga, em casa. Ao jantar, as duas conversam.
- Então? Essa carinha não mente...as coisas com o Nuno não tão fáceis não é?
- As coisas com o Nuno acabaram. Já assinámos os papéis para tratar do divórcio.
- É isso mesmo que tu queres?
- Não sei...mas olha que ele quer. Está cheio de pressa. De certeza que a esta hora já está metido na cama com a outra, todo satisfeito...
- Não digas disparates. Não acredito que ele já não goste de ti.
- Não gosta não. Ele anda com outra. Chama-se Rafaela. Até queria apresentá-la à Rita. Era o que faltava. Andar a apresentar as gajas todas com quem se mete à minha filha...
- E aquilo é mesmo sério?
- Não sei...mas acho que sim. Sei lá... Ele ontem esteve cá. Apanhou-me no quarto a chorar, e eu, parva, ainda lhe disse que tinha saudades dele. Vê lá, agarrei-me a ele e tudo. Só para me humilhar ainda mais, mas eu mereço. Porque é que eu sou tão burra?
- E ele?
- Ele beijou-me.
- Beijou-te? Vês...
- Disse que ainda se sente atraído por mim, e que eu sou a mãe da filha dele...
- Sente-se atraído por ti? E o que é que estás à espera para tirar proveito disso? ahahah
- O que é que queres que eu faça?
- Queres mesmo que eu te diga? Marca um jantar, qualquer coisa...põe-te linda mulher, e depois atira-te a ele que nem uma leoa! ahahah Dá-lhe uma noite de sexo do outro Mundo, e vais ver se ele não fica logo mais calmo...
- Se soubesses as saudades que eu tenho...O sexo com ele era tão bom...
- Se o problema é falta de sexo, não deve haver por aí falta de macho para te dar uma ajudinha!
- Oh, não é sexo pelo sexo. Sabes bem o que é que eu digo. Tenho saudades dele. É dele mesmo. Não é de qualquer outro. Do cheiro. Do corpo. Ontem apetecia-me tanto que tivesse acontecido... Ele pareceu-me tão disponível...
- Ai...devias ter aproveitado...
- Tenho saudades de o agarrar, de o beijar. Da cara que ele fazia quando estava excitado. Dos orgasmos que ele me dava...Nós tinhamos uma química tão boa...
- Isso não pode ter desaparecido assim. Tens que fazer aquilo que eu te digo. Atacá-lo, e depois logo vês no que é que dá.
- Mas se nós formos para a cama isso não prova nada. Apenas que ainda temos tesão um pelo outro.
- Sofia...parece que não estou a falar contigo! Tu lá hás-de o conhecer melhor que eu, mas, de certeza que se forem para a cama, não será só porque ele esteja morto por te saltar para cima! Vocês têm uma filha...
- Já não sei bem o que esperar do Nuno...
- Faz o que eu te digo. Depois logo me contas.



Na altura Sofia não levou a sério o que Sara disse, mas mais tarde chegou à conclusão que poderia ser uma boa maneira de se aproximar de Nuno: apelar ao desejo que ele sempre sentira por ela. Telefonou-lhe na manhã seguinte, pedindo para terem uma conversa calma, na casa que ele tinha alugado para viver desde que se separaram. Ele acedeu a custo, e pouco passava das 18h, quando Sofia lhe bateu à porta. Entrou e despiu o casaco, revelando o vestido preto, sem alças, que lhe valorizava o corpo de curvas sinuosas. Nuno olhou-a, mas procurou rapidamente disfarçar quando o seu olhar se cruzou com o dela. Sofia sentou-se a seu lado no sofá, e com ar lânguido procurou iniciar a conversa. Aproximou-se dele numa tentativa de lhe tocar, mas Nuno levantou-se, evitando esse encontro. Sofia percebeu que ele estava a fugir e seguiu-o. Decidiu atacar sem pensar mais, e procurou a boca dele com a sua. Beijou-o. Desceu pelo pescoço, com beijos e dentadas certeiros ao mesmo tempo que perguntava:
- Diz que não tens saudades disto...
Ele não respondeu, mas agarrou-a depressa pelos pulsos, olhando-a bem nos olhos:
- O que é que tu queres?
- E tu, o que é que tu queres?
- O que é que vieste aqui fazer?
- Ainda não respondeste à minha pergunta...
- Eu vou dar-te aquilo que tu queres...



Largou-lhe os pulsos, e agarrou nela ao colo, empurrou para o chão tudo o que estava em cima da mesa da sala, e deitou-a lá. Sofia sorriu-lhe, excitada, enquanto via Nuno despir a tshirt. Ele fê-la levantar-se e puxou-lhe o vestido, deixando-a apenas com a diminuta lingerie, deitada sobre a mesa. Despiu-lhe o resto da roupa, e acariciou-lhe o corpo. Encheu as mãos com os seios dela, para a seguir provar-lhes o sabor. Não estava a ser meigo, mas Sofia vibrava ao sentir esse descontrolo no olhar e nos gestos dele. Afinal, foi para isso mesmo que tinha ido lá, para o testar. Nuno continuou a descer pelo corpo dela, e centrou-se no seu ponto de prazer, fazendo-lhe umas carícias orais que a fizeram contorcer-se em cima da mesa quando sentiu o orgasmo aproximar-se. Ele apercebeu-se de todo aquele êxtase, e entrou dentro dela. Possui-a alguns minutos assim, até que Sofia levantou-se, e ele a arrastou para o sofá, fazendo com que ela se sentasse no seu colo. Vibraram durante longos minutos, até toda aquela loucura acabar, e voltarem ao mundo real. Sofia pensou que Nuno estivesse mais disponivel depois daqueles momentos de paixão, e sentia-se vitoriosa, pois tinha percebido que ele ainda perdia a cabeça com ela. Ele acabou-lhe com a paz bem depressa, quando, levantando-se do sofá, ao pegar nas roupas, lhe disse:

- Já tens o que querias.
- O quê?
- Não era sexo aquilo que tu querias?
- Não...
- Não vieste atrás de mim para irmos para a cama? É que pareceu-me que era isso.
Ela não consegue responder.
- Vá, não olhes para mim com essa cara. Pensas que eu sou parvo? Eu percebi bem o que tu vieste cá fazer. Querias provocar-me e ver até onde é que eu ia não era? Já viste. Já sabes que não sou de ferro. Agora podes ir embora.
- Tu estás parvo?
- Não ia deixar-te ir embora sem cumprir a minha obrigação. Parecia mal tu ofereceres-te tanto e eu dizer que não queria.
- Eu enganei-me muito a teu respeito...muito mesmo.
- Ainda bem que estás prestes a livrar-te de mim então.
Sofia veste-se depressa e sai, ainda com o vestido por apertar e os sapatos na mão. Dentro do carro, olha a janela do apartamento de Nuno, e não consegue evitar pensar em como as coisas mudaram. Como ele mudou.

sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Divórcio I

- Olá.
- Olá. Desculpa vir aqui na tua hora de almoço, mas precisava de falar contigo.

- Realmente não tenho muito tempo. Diz.
- Hmm, eu gostava de conversar contigo mais calmamente. Será que podemos combinar um jantar ou qualquer coisa assim? Pode ser lá em casa...
- Eu já tenho os papéis para tu assinares. Não os tenho aqui agora, senão até tos dava já.
- Ah, já trataste dos papéis foi?

- Sim. Posso ter que viajar daqui a algum tempo, e quero tratar de tudo o mais depressa possível. Talvez ainda hoje tos entregue, eu passo lá por casa e deixo-tos. É só assinares.

- (desapontada) Ok.
(tenta controlar-se, mas não consegue) Já não sentes nada por mim?
- (pensa) Sinceramente? Não. Perdeu o interesse. Estou a seguir com a minha vida, e tu devias fazer o mesmo.
Vou ter que ir. Tenho umas coisas para fazer ainda. Depois eu digo qualquer coisa.

- Ok. Até logo então.

Ele vira costas, mas Sofia grita de repente:
- Nuno, espera!
Tu sabes que não é nada o meu género, mas sabes...eu cheguei a pensar que isto pudesse ser para sempre... Doeu ouvir-te dizer que já não gostas de mim. Que "perdeu o interesse" como tu dizes...
- Tenho muita pena...
Ao ouvir isto, Sofia muda imediatamente a cara, e diz:

- Não tenhas. A vida continua. Tens razão, quanto mais depressa tratarmos deste assunto, melhor.

Até logo.

Sofia vai embora, mas Nuno continua a olhá-la, enquanto esta se afastava rua abaixo. Ainda gostava dela, mas não queria dar o braço a torcer, nem sair por baixo nesta história.

...

Nuno pousou o copo e sentou-se.
- Já leste tudo o que diz aí? - perguntou.
- Já. Dá-me a caneta para eu assinar. Onde é?

- É aqui, por baixo da minha assinatura.

Convicta, agarrou na caneta, aproximou a cara do papel, e leu por alto, mais uma vez, as linhas que constavam no documento que iria definir a vida de ambos dali para a frente. Engoliu em seco, embora procurando fazê-lo disfarçadamente. Passou-lhe pela cabeça o momento em que o conheceu, o primeiro beijo, o casamento, as noites de amor, promessas, juras, tudo o que haviam feito, e que agora estava a ir tão repentinamente por água abaixo. Finalmente, assinou, com mão firme, o nome completo. Olhou para ele, e com postura de dever cumprido, entregou-lhe a caneta. Ele esperava que ela desistisse na altura de assinar, mas havia-se esquecido de que ela nunca desistia de nada. Poderia ter vontade, mas, jamais dava o braço a torcer.

- Pronto. Agora já está tudo resolvido. Podemos fazer as nossas vidas em paz, já não devemos nada um ao outro
- disse-lhe ele, enquanto se levantava, agarrando nos papéis.

- Eu já estou a fazer a minha vida há muito tempo, não é um simples papel assinado que vai mudar alguma coisa - retorquiu ela.

- Ainda bem que assim é. Fico feliz por ti.
Ela levantou-se, ponderou dois segundos e deixou explodir a frase:
- Não pensei que isto fosse acabar assim...
- Assim como?

- Passar por isto. Foi sempre tudo tão díficil, mas não achei que fosse terminar assim. Eu para um lado, tu para outro, e a nossa filha no meio.

- Disseste-me muitas vezes que nada é para sempre...
- Pois não, mas eu quis que nós fôssemos.
- Foste tu que me afastaste. Quiseste resolver os teus problemas sozinha. Achaste que não fazia parte da tua vida. O que é tu pensavas? Que eu não era suficientemente bom para te conseguir ajudar?
- Tu não podes julgar-me...ou achas que é fácil tratar de uma casa e de uma criança praticamente sozinha?

- Eu sabia que irias culpar-me, mais tarde ou mais cedo...Eu sabia que nas vezes em que dizias que eu não tinha culpa, que tinha era que fazer o que eu gostava, que me apoiavas na minha carreira etc e tal, no fundo aquilo que tu querias dizer era que eu nunca te apoiava a ti em nada! Eu admito a minha culpa, o meu egoísmo, o que quiseres chamar-lhe. Mas vais continuar a atirar-me isso à cara o resto da vida?
- Não...agora também não vale a pena fazer isso. É melhor ires-te embora. Depois falamos sobre o dia e hora da audiência.
- Tens razão. Depois ligo-te. Adeus.



Mal ele bateu a porta, ela desatou num pranto. Teve vontade de se bater a si própria, porque tinha feito tudo ao contrário daquilo que realmente queria. Mas não ia dar o braço a torcer, afinal, Nuno tinha-lhe dito que já estava a refazer a sua vida com outra mulher, e até lhe tinha pedido autorização para a apresentar à filha de ambos. A Rita sentia falta do pai. Sofia sabia-o perfeitamente. Perguntava por ele, e quando é que ele ia lá a casa vê-la, e até houve uma vez em que lhe disse, com a inocência típica de uma criança, "se o pai já não gostava dela e da mãe". Teve muitas vezes vontade de lhe ligar, e dizer-lhe para ele voltar para casa e esquecerem tudo, mas na hora H, a coragem faltava-lhe sempre. No dia a seguir, durante a hora de almoço, Nuno e Pedro, um colega de trabalho e amigo, conversam. Inevitavelmente falam de Sofia:
- Então, como correu ontem?- perguntou Pedro.
- Uma merda. Discutimos, claro. Ela não me entende, e eu não a entendo a ela. Não há nada a fazer.

- Porque é que não resolves isso de uma vez? Diz-lhe que gostas dela, e conversem com calma! Ou já não gostas da Sofia?
- Não sei. Eu estou com a Rafaela, e estou bem, sinto-me bem com ela.

- A Rafaela é tua amiga. Tu é que quiseste fazer dela namorada, e agora ela não te larga mais...
- A Rafaela é uma boa companhia. É simpática, bem-disposta, bonita...pode resultar.
- Eu não gosto de me envolver com ninguém a pensar que "pode resultar". Das duas uma: ou só quero divertir-me, e aquilo é apenas para a cama, de comum acordo, ninguém cobra nada ao outro, ou então gosto dela realmente e aí não descanso enquanto não a tenho. Tu davas-me cabo da cabeça com a Sofia, quando ainda nem falavas com ela! Andavas sempre atrás dela, a arranjar maneira de falar com ela... Que é feito daquela coisa que eu ao inicio até achava um bocado exagerado "a Sofia é a mulher da minha vida"?
- A Sofia já não é a miuda de 20 anos com quem eu comecei a namorar. Isso já foi à muito tempo. Ela é uma mulher, e que mudou muito, não tem nada a ver com esses tempos.

- Mudou como?

- Mudou...está diferente. Está amarga, séria, fechada. Ela odeia-me porque acha que eu sou um egoísta e só penso em mim. Diz que está farta de estar sempre sozinha. Eu sei que tenho culpa, até admito que fui egoísta algumas vezes, mas, caramba, eu habituei-me a tê-la sempre do meu lado. Eu via-vos a vocês a queixarem-se que as mulheres e as namoradas ficavam sempre amuadas e só punham problemas quando se lhes falava em viagens, formações, cursos, deslocações para aqui e para ali, e com ela era sempre o contrário. Às vezes até me parecia que ficava mais entusiasmada do que eu! Era uma paz para mim saber que a tinha sempre do meu lado, que podia contar sempre com ela...

- Eu não percebo o que vai na cabeça dela, não sou mulher, nem sei o que uma mulher sente quando passa por isso, mas deve ser díficil. Se calhar exigiste demais. Também tens que ver o lado dela, estar tanto tempo sozinha, tratar de uma criança pequena...
- Ela quer à força arranjar um culpado, e na cabeça dela só posso ser eu. Tudo bem, eu posso assumir a culpa de não ter estado ao lado dela, mas isso faz-me vê-la de maneira diferente. Parece que agora quando penso nela já só me vem à ideia a "mãe da minha filha", e não "a minha mulher". Eu gostava dela, Pedro...fazia tudo o que ela me pedisse, eu nunca lhe disse isto, mas se ela me dissesse para largar isto, olha que eu até era capaz de pensar nisso, e tu sabes o que eu gosto do que faço. Mas de repente ela começou a pôr-me à parte. Agora, nem conversar 5 minutos conseguimos...

- Eu acho que vocês precisam é de tempo. Afastarem-se e ver no que dá.
- Por este andar nem amigos vamos conseguir ser.

No escritório, Sofia não conseguia concentrar-se em nada. Levantou-se, e dirigiu-se à janela, abrindo um pouco a cortina e espreitando o movimento na rua. Pensou em Nuno. Sentiu um nó dentro dela, mas mentalizou-se que devia afastar esses pensamentos e retornou à secretária.
Quando chegou a casa, encontrou Nuno a brincar com Rita no quarto. Nem se lembrou que era dia dele ir visitar a filha, e ficou surpresa ao encontrá-lo lá. Deu um beijo na filha, sorriu de forma forçada ao marido, e afastou-se, indo refugiar-se no quarto. Fechou a porta, e as lágrimas saltaram-lhe para fora dos olhos num ápice, rolando amíude pelo rosto, depressa encharcado. Descalçou os sapatos e atirou-se para cima da cama, agarrando-se à almofada, num abraço, uma tentativa desesperada de consolo. Nuno, que ia falar-lhe da data da próxima audiência do divórcio, abriu a porta do quarto devagar, e ficou uns segundos a vê-la chorar. Voltou a fechar devagar a porta, e encostou-se de seguida à parede do corredor, pensando em como gostaria que as coisas fossem diferentes.



Resolveu entrar, e quando chegou ao pé da cama, encontrou-a de bruços, com a cabeça de lado, deitada na almofada, maquilhagem esborratada, e os olhos inchados de chorar. Sofia não fez qualquer movimento, parecia anestesiada, nem tentou esconder a cara, ou perguntar-lhe o que ele estava ali a fazer. Nuno ficava sempre aflito e sem saber o que fazer quando a via chorar. Quando ela queria que ele a perdoasse por alguma coisa, por vezes recorria mesmo a esse pequeno truque. Era remédio santo, ele esquecia logo o motivo da discussão, e tentava consolá-la. Mas desta vez, as lágrimas eram sinceras.
Nuno sentou-se na beira da cama, e fez-lhe uma festa, aliviando-lhe os cabelos louros caídos para a cara. Olharam-se alguns segundos, até que ela se levantou repentinamente e o abraçou, chorando convulsivamente de novo, com a cara apoiada no ombro dele. Por entre o soluçar, disse-lhe:

- Tenho tantas saudades tuas...

Nuno afastou-a de modo a conseguir ver-lhe a cara. Limpou-lhe ao de leve algumas lágrimas, e beijou-a na boca. Um beijo terno, quase infantil, um simples encosto de lábios, mas que tinha um sabor dourado. Quando se afastou, olhou para ela novamente. Teve vontade de abraçá-la e dizer-lhe o que sentia, mas o orgulho impediu-o, e conteve-se. Ela prosseguiu por ele.

- É dificil saber que já não gostas de mim...dói ver que estás apaixonado por outra. Dói imaginar-te a beijá-la, a tocá-la, na cama com ela...a dizeres-lhe tudo o que me dizias a mim antes... Aquilo que eu mais queria era voltarmos a ser uma família. Era que voltássemos a gostar um do outro como antes. Aquilo que eu mais queria era que me dissesses que me adoras como fazias antes...
Porque é que "eu perdi o interesse" como me disseste ontem? Porque é que já não gostas de mim?
- Eu gosto de ti. Esquece aquilo que eu disse. Falei sem pensar. É claro que eu gosto de ti, tu és a mãe da minha filha...

- Eu estou a falar como mulher! Já não me desejas, é isso? Já não tens vontade de ir para a cama comigo? Sentes que eu não te satisfaço? Eu faço tudo o que tu quiseres...diz-me o que queres que eu faça, eu faço tudo, qualquer coisa...
- Para com isso...Para. Sofia, para! PARA! - gritou-lhe enquanto a agarrava numa tentativa de a controlar.
Não é nada disso! Ouve! Ouve o que eu digo.

Isto não tem nada a ver com eu gostar de ti como mulher, atraires-me ou não. Eu não deixei de me sentir atraido por ti da noite para o dia. Sabes que eu sempre te achei linda, e continuo a achar, mas, eu também tenho o direito de me sentir magoado. As mulheres podem ser mais sensíveis, mas isso não quer dizer que os homens não sintam as coisas. Mesmo que não demonstrem. Eu estou magoado contigo, não confiaste em mim. Eu não deixei de gostar de ti, mas estou chateado contigo. Nós já não falamos sem discutir. Ou é por causa do meu trabalho, ou porque tu estás chateada com alguma coisa que eu faça, ou porque estás sempre sozinha com a Rita, ou por qualquer outra coisa...Qualquer coisa é motivo para discutirmos, para gritar, ofender. Não quero viver mais neste tipo de vida. Preciso de paz.

- Eu sei que fui estúpida contigo.

- Não se trata de ser estúpida, mas, acho que devíamos ter ficado juntos como sempre estivemos em vez de andarmos a medir forças.
- Eu queria que ficasses aqui comigo...

- Eu sei. Mas já tinha tudo preparado para a viagem, não podia dizer simplesmente que não ia à ultima da hora. Tu sabes que eles não perdoam essas coisas. Não tou habituado a que não estejas do meu lado, estranhei...acho que é normal.
- Às vezes custa estar sozinha...
- Eu sei. Eu sempre te admirei muito por isso. Vi muitos casamentos e namoros desfeitos à minha volta. Eu sei que estar ao lado de uma pessoa com uma vida como a minha não é fácil. Mas eu habituei-me a ver em ti um apoio sempre disponível, tinhas sempre um sorriso e uma palavra de incentivo...Se calhar também exigi demais de ti, não sei...
- Porque é que as coisas connosco são sempre tão difíceis? - perguntou-lhe Sofia com um meio sorriso.

- Sempre foram... - respondeu-lhe ele também no mesmo registo.
Bem, tenho umas coisas para fazer. A Rita ficou a dormir, e eu vou andando. Vinha falar contigo sobre a audiência, mas depois falamos melhor.
Ele beija-a na testa e levanta-se.

- Até amanha.
- Até amanha.
Nuno já tomou a sua decisão.
...

domingo, 4 de Maio de 2008

O Jogo



Ela afasta-se dele, e prepara-se para ir embora, quando ele a puxa pelo braço, e encosta-lhe o
corpo ao seu. Agarra-lhe os cabelos, forçando um beijo, desejado há muito por ambos. Não se preocupa com pudores, e deixa que a saliva presente naquela troca, percorra livremente os lábios de um e de outro. Ela afasta-o, e acusa-o de golpe baixo. Ele não desarma, e agarrando-a pela cintura, encosta-a bruscamente a si, dizendo-lhe ao ouvido:
- Eu sei que tu queres...
- Não, não quero. Larga-me!
- Não tens saudades?
- Não...
A expressão dele muda, mas ainda assim, continua a agarrá-la, afastando o seu corpo um pouco, de modo a conseguir fitá-la bem nos olhos. Devido ao esforço para se livrar dos braços dele, a respiração dela está ofegante e o coração bate descompassado. O olhar profundo trocado entre ambos denuncia de imediato que ela lhe mentiu. Ele percebe. Esboça um ligeiro sorriso de vitória, enquanto ela volta a tentar soltar-se, mas novamente sem sucesso. Ele agarra-a com mais força, e encosta-a à parede, segurando-a pelos pulsos. Percorre-lhe a cara com olhar de desejo, e fixa-se na boca, deixando a sua entreaberta, como que preparando-se para a beijar. Ela olha-o, sem pestanejar, mas não faz qualquer movimento com o corpo.
- Se não queres mesmo nada, nem tens saudades, deixa-me beijar-te, e depois podes ir embora.
- Não!
- Se dizes que já não sentes nada, qual é o problema? Eu juro que te largo e nunca mais vou atrás de ti.
- Eu não sinto nada por ti, larga-me! Não quero que me beijes, nem que me toques.
- Mentirosa, eu sei que tu queres. Se não quisesses, já tinhas arranjado maneira de fugir.
- Tu és muito mais forte do que eu, não consigo soltar-me.
- Conseguias...se quisesses. Mas como não queres, ficas aqui, à espera do que eu te vou fazer. Do que eu te quero fazer. E muito. Ainda és minha, ainda queres ser minha...
Ficou sem resposta após ouvi-lo dizer isto. Subitamente começou a ficar dividida entre o frio da parede onde ele a tinha encostado, e o calor daquele corpo masculino que ela ainda desejava e muito. Ficou balançada entre o tentar escapar da teia onde ele a tinha presa, ou ceder aos desejos que lhe invadiam de forma cada vez mais evidente, a mente e o corpo.
Ele, prendendo-lhe os pulsos com as duas mãos, acima da cabeça, aproximou a boca da dela, e sentiu-lhe o calor. Segredou-lhe:
- Não queres... - baixinho, entre lábios, roçando-os levemente nos dela.
- Não... - respondeu-lhe ela, no mesmo registo de sussurro, mas agora já pouco convencida do que dizia.
Ele passou-lhe o nariz pelo rosto, e pelo cabelo que lhe emoldurava a cara, sentindo o suave aroma feminino dela, que tanto gostava. Voltou a concentrar-se na boca, e mordeu-lhe o lábio inferior. Ela não resistiu. As mãos afrouxaram, envolvidas pelas dele, mas ele não as largou, continuando a tê-la presa, à mercê da sua vontade. Ele afundou completamente a sua boca na dela, que correspondeu desta vez de forma apaixonada aos avanços dele.
Ele afastou-se ligeiramente, e mantendo-a ainda presa pelos pulsos, olhou para baixo, e viu como o peito dela se revelava excitado por baixo do fino top de algodão que trazia. Voltou a atacá-la,
mas desta vez no pescoço, com carícias húmidas e lentas, provocando-lhe as primeiras exclamações de prazer em voz alta. Quando olhou para ela, encontrou-a de olhos semi-abertos e ar lânguido. Sentiu que ela já estava rendida e queria mais. Soltou-lhe as mãos, e despiu a camisola. Ela permaneceu encostada à parede, e ele agarrou-lhe novamente nas mãos para que tocasse agora no seu corpo, que sabia perfeitamente o quanto ela ainda queria para si. Ao passar a mão pelos contornos dele, ela descolou-se da parede, e agarrou-o, beijando-o novamente com uma raiva apaixonada, enrolando com fúria a sua língua na dele.
Ele voltou a encostá-la à parede, e baixou-lhe a alça do top, beijando de seguida a pele do ombro
macio, até ao peito. Fez deslizar o tecido mais para baixo, revelando um seio por completo. Admirou-lhe a beleza excitada com o olhar, para depois lhe provar o sabor. Acariciou-o lentamente, enquanto tentava observar as reacções dela. Subiu novamente para beijá-la. Ela insinuou-lhe a vontade que tinha para que ele continuasse.



Ele baixou-se pelo corpo dela, começando a acariciá-la no peito, depois na barriga, e finalmente
sentiu, mesmo por cima das calças de ganga, o calor da excitação que lhe invadia as femininas entranhas. Provocou-a, mordendo-lhe aí levemente o tecido, para em seguida a despir completamente, deixando-a nua, totalmente exposta. Ela tocou-o e sentiu a dureza da excitação dele com aquele jogo. Fê-lo gemer, mas ele não deixou que continuasse, e voltou a abocanhar-lhe um dos seios, descendo depois lentamente, até lhe encontrar o ponto de prazer. Satisfeito, comprovou o quanto ela estava ávida dele, e provou-lhe de imediato o sabor. Ela suspirou, e pousou-lhe as mãos na cabeça, enquanto o sentia explorar-lhe a intimidade com a boca, e constatava o quanto ele gostava de o fazer.
O prazer que sentia começava a fazer-lhe fraquejar as pernas, uma no chão, e outra apoiada no
ombro dele. Quando sentiu as ondas do primeiro orgasmo invadirem-lhe o corpo, quase desmaiou, deixando escapar um gemido esclarecedor. Encostou-se completamente à parede, tentando recuperar, enquanto ele subia novamente por si, para partilharem o sabor do corpo dela num beijo.
Já recuperada do êxtase que tinha sentido, resolveu mudar o jogo, e forçá-lo agora a ele a sentir na pele o frio daquela parede onde haviam iniciado o jogo. Começou por morder-lhe levemente o pescoço e os ombros, passando em seguida com a língua pelos contornos do peito. Em seguida passou-lhe ambas as mãos pelo tronco, e desceu lentamente. Desabotoou-lhe as calças, e baixou-se à frente dele. Tocou-o primeiro com a mão, fazendo-o fechar os olhos e contorcer-se de prazer. Sentiu saudades do sabor dele e atacou-o sem perder mais tempo, com a boca. Gostava de provocá-lo, misturando os toques suaves da sua língua, com a força comedida dos dentes, e foi isso mesmo que fez. Ele pousou-lhe a mão nos cabelos, e baixou-se para trocarem um beijo. Puxou-a e virou-a de costas para si, encostando-lhe as mãos à parede. Aproximou o seu corpo do dela, e beijando-a no pescoço, segredou-lhe com voz rouca ao ouvido:
- Não queres?...
- Quero...- gemeu.
Quando entrou nela, ouviu-lhe um grito de prazer. Continuou a fundir-se nela, assim, virada de costas para si, mas beijando-lhe o ombro por vezes, ou mergulhando mesmo a cara nos seus cabelos compridos. Sentiu o crescer da excitação dela, até atingir um êxtase indisfarçável, pontuado por um suspiro bem alto. Ela virou-se, e ele pegou-lhe ao colo, encostando-a novamente à parede. Possuiu-a assim, sustentando-lhe o peso com os braços, até que decidiram amar-se directamente no chão. Ela sentou-se ao colo dele, que aproveitava os movimentos dela, para lhe acariciar os seios, ora com as maõs ora com a boca. Quando sentiu que a sua excitação se aproximava do incontrolável, agarrou-a pela cintura e forçou-lhe os movimentos, provocando-lhe um orgasmo bem intenso, e tendo ele próprio, um bem estrondoso, alguns momentos a seguir. Sem fôlego, ela deixou cair o corpo para cima dele, e deixava-lhe escapar a respiração ofegante junto ao ouvido. Tinha saudades daquela paixão, daquela loucura toda, embora jamais o tivesse admitido diante dele. Quando deslizou para o lado, trocaram um olhar. Ele esboçou um sorriso vitorioso, e disse:
- Achava que tinhas dito que não querias...
- O que tu fizeste foi golpe baixo...
- Eu? Eu não te obriguei a nada...
- Fizeste isto porque sabes que ainda gosto de ti...
- Pois fiz. Só queria que o admitisses. Agora já está!
- Não devia dizer isto, mas, já tinha saudades...

quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Dois Lados II

- Olá, bom dia. Posso sentar-me?

- Alexandre! Olá, bom dia. Claro, faz-me companhia ao pequeno-almoço...
- Obrigado. Podemos tratar-nos por tu? Ah, e podes chamar-me Alex.
- Ah, claro, por mim tudo bem! Então, estás a gostar daqui?
- Sim, se bem que isto é sossego a mais...
- (risos) Pois é. Isto é uma calmaria...
- Mas até que é engraçado. E as tuas férias como estão a correr? Tens tido problemas com a porta do quarto? (risos)
- Ah, não...felizmente não. Ainda bem que lá estavas da outra vez, senão acho que tinha ficado á porta!
- Pois era...

Sérgio que está a servir às mesas, vê-os conversarem animadamente. Marisa não repara, mas Alex sim:
- Desculpa, mas tu conheces aquele empregado? Ele está a olhar muito para aqui...
- (pensa) É o Sérgio... Err, sim conheço. Quer dizer, conheço daqui.
- Ahh...ok.
- Deixa, deve estar a ver qualquer coisa. Se calhar nem é para nós, é para outra mesa.


Duas horas mais tarde

Sérgio vai ao encontro de Marisa, que está na piscina a tomar banhos de sol.
- Olá.
- Olá.
- Então, fizeste um novo amigo foi?
- Hmm?
- Aquele que estava a tomar o pequeno-almoço contigo na mesa.
- Ah, o Alex.
- Alex? Bem, que grande intimidade. Perdi alguma coisa?
- Desculpa? Que cena é esta?
- Não sei, diz-me tu.
- O Alex é um hóspede como eu. Conheci-o anteontem, e ele hoje sentou-se comigo. Qual é o problema?
- Ainda não percebeste que o gajo anda-se a fazer a ti?
- O quê? Tu estás doido. E além do mais, mesmo que estivesse, o que é que tens a ver com isso?
- Muito.
- Porquê?
- Se estamos a sair...
- Sérgio, eu acho que tu não percebeste. Nós dormimos juntos, e saímos algumas vezes. Tudo bem. Damo-nos bem, ok. Mas isto não é nenhum namoro. Por favor...a minha vida é em Lisboa, a tua é aqui. Eu estou aqui de férias...
- É isso que tu pensas?
- Claro, eu não vivo de sonhos e idealizações cor-de-rosa ao género amor e uma cabana. Agora não quero relações sérias. Quero viver a minha vida sossegada.
- Ok. Eu já percebi a mensagem. Está descansada, eu não volto a chatear-te.
Ele vira costas e vai embora. Marisa fica confusa com aquela situação toda.



Ao jantar, Sérgio ignora-a completamente, mesmo quando à saída ela tenta apanhá-lo e esclarecer as coisas. Fica triste, e sente que isso está a incomodá-la mais do que ela gostaria. No dia seguinte, Alex encontra-a no terraço do hotel, sentada, sozinha, e pensativa.
- Bom dia, então que cara é essa?
- Bom dia, nada de especial. Coisas minhas...
- Ok. Mas se quiseres falar, tudo bem.
- Lembras-te do empregado que estava a olhar para nós?
- Hmm...sim...
- É o Sérgio. Fui para a cama com ele.
- (surpreso) Err...e..?
- E...e ele não percebeu que era só isso. Sexo.
- Bem, normalmente as mulheres é que costumam queixar-se disso (risos).
- Ele está convencido de que temos um namoro. Fomos para a cama e saímos umas vezes. Desde quando isso é namoro?
- Sim, não é. Gosto da tua maneira directa de falar...
- Não, estás chocado isso sim. Não disfarces. Mas não há outra maneira de dizer as coisas, nem tão pouco gosto de paninhos quentes.
- Então e agora?
- Agora ele está muito ofendido e não me fala.
(silêncio)
Estou triste, não queria que as coisas fossem assim. Isto são férias e já estou a ter que me stressar...
- Isso passa-lhe.
Alex aproveita a deixa para consolar Marisa e tentar tirar proveito disso. Ela comove-se com o gesto dele. Ele convida-a para jantar, fora do hotel. Marisa aceita, e quando à noite regressam, Alex acompanha-a até à entrada do quarto. Na hora de se despedirem, ele "prende-a", colocando os braços à sua volta, com as mãos apoiadas na parede. Aproxima a cara da dela, e faz-lhe um sorriso malicioso. Ela, descontrolada, faz o jogo dele e acabam por beijar-se durante alguns minutos, sem se preocuparem que mais algum hóspede possa ver. Marisa interrompe a sessão, e despede-se de Alex, mas desta vez estava plenamente consciente do que tinha feito, e não se sente nem um pouco arrependida.